segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Desenvolvimento da Libido e as Organizações Sexuais – Conferência XXI – Vol. XVI – 1916/17


Neste texto Freud retoma a discussão da conferência XX (“A Vida Sexual dos Seres Humanos”) acerca de possíveis definições do que seria a sexualidade humana. Logo de início ele reitera que definir sexualidade unicamente como função reprodutiva é insuficiente, uma vez que existe uma sexualidade infantil e que as perversões também são manifestamente sexuais, apesar destas não terem a união dos genitais como finalidade última.
                Quanto às perversões, Freud afirma que a repulsa que em geral elas provocam nas pessoas esconde, na verdade, um perigo de sedução, uma forte atração que precisa permanecer latente; como se aqueles que julgam moralmente os perversos, no fundo, inconscientemente, sentissem inveja da maneira como eles vivem sua sexualidade. Freud afirma ainda que dificilmente não há traços de perversão na vida sexual das pessoas que ele chama de normais.
                O beijo, o prazer em olhar e tocar outras regiões do corpo (que não os genitais), o sexo oral, a masturbação, todos esses contatos sexuais que não envolvem penetração podem facilmente culminar com o gozo e a emissão de produtos genitais, inclusive na sexualidade normal. A partir dessa afirmação Freud alega não haver um abismo entre a sexualidade normal e a perversa. A diferença entre as duas estaria no fato desta abandonar completamente o ato sexual, substituindo-o por outros contatos sexuais. Já a sexualidade normal, apesar de se utilizar de ações pervertidas de maneira preparatória, como forma de intensificação do prazer sexual, sempre terá como finalidade a união dos genitais.
                Em seguida Freud aproxima ainda mais a sexualidade normal da perversa, concluindo que ambas são oriundas de uma sexualidade infantil polimorfa que posteriormente passou por um processo de centralização onde se delimitou quais seriam os fins sexuais de cada uma. Deste modo, segundo Freud tanto a perversão como a sexualidade normal passaram a estar sujeitas a uma “bem organizada tirania”.
                Ao analisar sintomas de pacientes histéricas (neurose de conversão) e se aproximar de conflitos de ordem sexual advindos da infância, Freud pôde perceber com mais clareza a existência de uma sexualidade infantil, onde já estaria presente a busca pelo prazer do órgão.  Para ele nós só não nos lembramos das manifestações sexuais da primeira infância porque no período de latência (sexto ao oitavo ano de vida) tais memórias são recalcadas. Segundo Freud boa parte do trabalho da análise consiste em trazer à consciência essa memória.    
A vida sexual dos seres humanos começaria logo após o nascimento do bebê, na amamentação. Isso porque a ação de mamar não consiste apenas em satisfazer uma necessidade biológica de se alimentar, uma vez que já apresenta um componente erótico (o bebê tem prazer ao sugar o seio materno). Aqui, assim como ocorre na fase anal, o bebê também já consegue ter prazer com seu próprio corpo (autoerotismo), independentemente de um objeto externo. Mesmo quando já alimentado, o bebê continua estimulando sua boca com seu próprio corpo (chupando o dedo).
A fase posterior à fase oral é a fase sádico-anal, pré-genital. Nessa fase a criança ainda não entrou em contato com a diferença entre masculino e feminino, mas sim entre passivo e ativo. O que está em jogo aqui em um instinto de domínio ligado aos genitais, e um fim passivo ligado ao anus. Apesar de anteceder a fase de primazia genital, onde já há um objeto externo bem definido, na fase sádico-anal o desejo da criança ainda é polimorfo, ainda não tem definido um objeto específico onde investir a libido.
A passagem por estas duas fases e a entrada na fase fálica precisa cumprir dois objetivos. O primeiro consiste em abandonar o autoerotismo, de modo a substituir o próprio corpo por um objeto de desejo externo. O segundo consiste em substituir diversos objetos por um único objeto de desejo, um corpo total separado e semelhante ao próprio sujeito. Freud afirma que esse segundo objetivo se dá logo antes da puberdade, e que o novo objeto unificado é a mãe. Assim, a mãe se constitui como o primeiro objeto de amor, o que tem importantes implicações para o desenvolvimento da criança (entrada no complexo de Édipo). É também nesse momento que se inicia o período de latência (amnésia infantil), pois o menino recalca os impulsos incestuosos dirigidos à mãe e os impulsos hostis dirigidos ao pai. Na menina ocorre a mesma coisa, só que de maneira inversa. A rivalidade/hostilidade se dá em relação à mãe e a ligação amorosa em relação ao pai, sempre mais amoroso com a menina do que com o menino.
Passado o período de latência, na adolescência os impulsos sexuais passam a se expressar intensamente, de modo que as catexias incestuosas são restabelecidas. Isso dá origem a fortes conflitos que, em grande medida, são recalcados e continuam existindo apenas no inconsciente (aqui, em 1916, ainda não se fala em id e nem em segunda tópica), onde os afetos ambivalentes podem conviver. Inicia-se, assim, com a proximidade da vida adulta, o árduo desafio de desinvestir libidinalmente as relações edipianas e conseguir investir em outras relações fora da família. Com o sucesso dessa separação dos pais (resolução do complexo de Édipo) o sujeito deixaria de ocupar o lugar de criança e passaria a ocupar o lugar de adulto na comunidade social.

Realizado pelos monitores Andrei Cattaruzzi Gerasimczuk e Ivens Queiroz Cavalcante, da Equipe de Monitores de Psicanálise do Curso de Psicologia da PUC/SP.

domingo, 16 de setembro de 2012

Considerações sobre os Verbetes do Vocabulário de Psicanálise de Laplanche e Pontalis - TÓPICA, RECALQUE ORIGINÁRIO E NARCISISMO


Tópica:

. Teoria dos lugares.
. Diferenciação do aparelho psíquico em sistemas dotados de características diferentes com relações entre si. Podemos considerar metaforicamente como lugares psíquicos.
. Na teoria Freudiana são duas tópicas: 1ª: distinção entre Inconsciente, Pré-consciente e Consciente; 2ª: distinção entre id, ego e superego.
. Hipótese freudiana: origem num contexto científico de que nos limitaremos a indicar elementos mais imediatamente determinantes.
. Hipótese anátomo-fisiológica: funções especializadas ou tipos específicos de representações dependeriam de suportes neurológicos rigorosamente localizados.
. Psicologia patológica: grupos psíquicos diferentes, comportamentos, representações, lembranças que não estão continuamente e no seu conjunto à disposição do sujeito, mas que podem mostrar sua eficácia: fenômenos hipnóticos, casos de desdobramento de personalidade, etc.
. Inconsciente: organização por camadas – sentido lógico, pois as associações entre as diversas representações realizam-se segundo modalidades diversas. Constituído a partir do recalque originário.
. Tomada de consciência: reintegração das lembranças inconscientes no ego – descrita segundo um modelo especialmente figurado: “desfiladeiro” que só deixa passar uma lembrança de cada vez para o “espaço do ego”.
. Reformulação da primeira tópica em segunda tópica: defesas inconscientes passam a cada vez mais serem levadas em consideração;
. A primeira concepção tópica do aparelho psíquico é apresentada no capítulo VII de A interpretação de sonhos (1900) e será desenvolvida nos textos metapsicológicos de 1915 onde os três sistemas serão distinguidos: inconsciente, pré-consciente e consciente; cada um com sua função, tipo de processo e sua energia de investimento. Essa distinção não pode ser separada da concepção dinâmica, segundo a qual os sistemas se acham em conflitos entre si.


Recalque Originário:

. Primeiro momento da operação do recalque. Tem como efeito a formação de um certo número de representações inconscientes.
. É postulado a partir de seus efeitos: uma representação não pode ser recalcada se não sofrer, simultaneamente com uma ação proveniente da instância superior, uma atração por parte dos conteúdos que já são inconscientes.
. Resulta na formação de uma quantidade de representações inconscientes (“recalcado originário”). Posteriormente, esses núcleos inconscientes vão exercer uma atração sobre conteúdos a serem recalcados, ajudando, portanto, no recalque propriamente dito;
. Caso Schreber: primeiro momento do recalque já é descrito como fixação (concebida como “inibição de desenvolvimento”). É uma fixação da pulsão numa representação e uma inscrição desta representação no inconsciente.
. Recalque originário: primeira fase do recalque que consiste no fato de ser recusado ao representante psíquico da pulsão o acesso ao inconsciente. Com ele se produz uma fixação onde o representante correspondente subsiste a partir daí de forma inalterável e a pulsão permanece ligada a ele.
. É um contra – investimento – noção que permanece obscura para Freud.
. Procurar origem em experiências arcaicas muito fortes.

Narcisismo:

. Referência ao mito de Narciso – amor pela imagem de si mesmo.
. Termo aparece pela primeira vez em 1910 para explicar a escolha de objeto nos homossexuais - partem do narcisismo e procuram pessoas que se parecem com eles;
.Caso Schreber: existência de uma fase intermediária entre o auto – erotismo e o amor pelo objeto. “O sujeito começa por tomar a si mesmo, ao seu próprio corpo, como objeto de amor”, o que permite uma primeira unificação das pulsões sexuais.
. Narcisismo não surge como uma fase evolutiva, mas como uma estase da libido que nenhum investimento de objeto permite ultrapassar completamente.
.Neurose Narcísica: possibilidade que a libido tem de reinvestir o ego (“libido do ego”), desinvestindo, portanto, o objeto (“libido do objeto”);
.  Narcisismo infantil como um dos momentos formadores do ego:  quando o ego é tomado como objeto de amor;
. Identificação narcísica com o objeto. Imagem que o sujeito adquire de si mesmo segundo o modelo do outro, e que é precisamente o ego. (concepção que cai com a elaboração da segunda teoria do aparelho psíquico).
. Freud acaba opondo de forma global um estado narcísico primitivo (primário) e relações com o objeto.
. Narcisismo primário: ausência total de relações com o meio, por uma indiferenciação entre o ego e o id.
. Idéia de um narcisismo a partir da formação do ego por identificação com o outro não é abandonada e passa a ser denominada como narcisismo secundário. – captação amorosa da imagem que outra pessoa tem do indivíduo, interiorização de uma relação intersubjetiva. Libido que aflui ao ego pelas identificações, sendo retirado dos objetos.

Elaborado por Fernanda Capuano e Renata Siqueira da
 Equipe de Monitoria de Psicanálise da PUC/SP

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Resumo do texto Identificação – Psicologia de Grupo e Análise do Ego, cap. VII, Vol. XVIII, 1921

O capítulo “identificação”, está presente no texto Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921.) Neste, ao longo das suas dissertações, Freud aborda a questão do que constitui e como ocorre a formação das massas, diferenciando-a dos grupos e de outros tipos de laço social.
O pai da psicanálise inicia o texto relatando que a identificação foi a primeira forma de ligação afetiva entre  as pessoas. A partir disso, então, estabelece a relação com a pré-história (ao longo do seu artigo, retoma várias vezes o texto Totem & Tabu, onde aborda a questão da formação da civilização e os aspectos primitivos do psiquismo e sua forte relação com o complexo de Édipo. A questão que se impõe aí é, então, a ligação com o pai e a ambivalência (o amor e a agressividade) em relação a mãe presentes ao longo do fenômeno citado anteriormente. A identificação ao pai adquire tons de hostilidade ao final da fase Edípica, em decorrência do mesmo ser tomado como um obstáculo em relação a sua mãe, que por sua vez, é tomada a partir de uma outra ligação psicológica que não a identificação, a de ser tomada como objeto.
O autor faz esta retomada para diferenciar, aprofundado o que já foi dito no parágrafo anterior, a questão da identificação versus a tomada como objeto. Neste sentido, o pai é tomado como modelo, aquilo que o sujeito gostaria de ser, enquanto a mãe é tomada como objeto, aquilo que ele gostaria de ter. Logo, a identificação, neste sentido, pode provocar uma mudança no eu, enquanto a ligação via investimento objetal direto não, pois é de uma outra natureza, que não envolve a questão do querer ser, tampouco do modelo.
No momento seguinte do texto, o pai da psicanálise aprofunda a relação entre as duas formas de ligação, a partir da relação com a formação neurótica dos sintomas. Diante disso, traz como exemplo hipotético para ilustrar as possibilidades de relação com o objeto, uma garota que apresenta um sintoma de tosse. A partir disso, ele aborda, primeiro, a possibilidade de que, no complexo de Édipo, que já foi citado anteriormente, o desejo de ocupar o lugar da mãe pode ter gerado um sentimento de culpa e sintomas associados a isso.
Depois, demonstra, a partir do exemplo citado, fazendo alusão ao Caso Dora (O Caso Dora é um famoso caso de histeria estudado por Freud, que está publicado no Vol VII, Fragmentos da Análise de Um Caso de Histeria. Aqui, o autor faz esta retomada para dizer que um dos seus sintomas era a imitação da tosse do pai) que a identificação pode se confundir com a escolha do objeto. De acordo com o autor, neste caso, a identificação tomou o lugar da escolha de objeto, e a escolha de objeto regrediu à identificação. (FREUD, 1921). Desta forma, pode ocorrer na formação dos sintomas, que as duas formas de ligação estejam presentes e se confundam, ou se alternem.
Na última forma citada da relação entre as ligações com o objeto e a formação e sintomas, Freud traz um exemplo de um grupo de garotas que vê uma outra receber a carta de um amante em um pensionato, uma carta que lhe desperta ciúme e a faz ter um ataque histérico. Aqui, em decorrência do sentimento de culpa gerado pelo fato de que o grupo de garotas também queria receber uma carta de amor, elas se identificam a essa outra e também tem um ataque histérico. Freud diz que este tipo de identificação desconsidera totalmente a relação objetal, ocorre, neste exemplo, uma identificação a partir da disposição afetiva que se desloca para o sintoma que Eu produziu. (FREUD, 1921.)
A partir dessas proposições, Freud retoma a questão das massas, presente nos capítulos anteriores. Ele lança a hipótese de que, na massa, ocorre uma identificação, que ocorre por via afetiva, na ligação com o líder. Aqui, é importante ressaltar que se trata de um recorte de um capítulo. Ao longo do texto, o autor constrói a questão da formação das massas e esta é citada anteriormente, a partir de diversas hipóteses, ângulos e autores.
Por fim, o autor traz a questão da introjecção de objeto na melancolia. Aqui, a perda real ou afetiva do objeto amado provoca sentimento de culpa e auto depreciação. O que acontece, é que o objeto permanece presente no psiquismo, ou seja, é incorporado no mesmo. O Eu é, então, dividido, uma parte, que contém a consciência crítica e o objeto, recrimina a outra. Freud classifica esta parte, aqui de Ideal de Eu. Nós a chamamos de Ideal de Eu e lhe atribuímos funções como auto-observação, consciência moral, censura do sonho e principal influência na repressão. (FREUD, 1921)
Desta forma, é possível dizer que, a partir da introjeção do objeto na melancolia, há um distanciamento entre o Ideal do Eu e o Eu Real, o que gera as questões citadas no parágrafo anterior. O autor desenvolve acerca da temática no texto Luto e Melancolia (1917) de modo que retoma esta questão, aqui, apenas para ilustrar uma possibilidade de relação com o objeto.

Elaborado por Antônio Alberto Almeida e Regina Cordeiro da equipe de monitores de Psicanálise da PUC/SP.

BIBLIOGRAFIA.

FREUD, Sigmund. Psicologia das Massas e Análise do Eu [1921]. In: Psicologia das massas e análise do eu e outros textos (1920-1923) tradução e notas Paulo César de Souza – São Paulo, Companhia das Letras, 2011.

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise" (S. Freud, in Obras Completas, VOL XII, 1912)

"Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise" (S. Freud, in Obras Completas, VOL XII, 1912)

No texto em tela, Freud tece recomendações acerca do método psicanalítico direcionadas à manutenção da escuta psicanalítica, da atenção flutuante.  
a.     Freud aponta a necessidade, por parte do analista, de recordar os relatos pronunciados por cada paciente. Ele esclarece que, com a técnica da atenção flutuante, o analista não precisa tomar notas durante a sessão. “(…) escutar e não se preocupar em anotar alguma coisa”. Em outras palavras, tratar-se-ia de uma contrapartida à associação livre feita pelo analisando, na medida em que o analista, ao não tentar compreender e lembrar, estaria lançando mão da sua “memória inconsciente”.
b.       No mesmo sentido, há a recomendação de não tomar notas no decorrer da sessão. A ação de tomar notas seria uma forma de seleção sobre aquilo que é trazido pelo paciente, isto é, seria uma forma de fixar mais ou menos atenção sobre esse ou aquele elemento da associação livre, o que se oporia à ideia da escuta despreocupada quanto à lembrança ou não de alguma associação trazida pelo paciente.
c.      Também quanto à possibilidade de tomar notas, ainda que para fins científicos, Freud descarta a possibilidade de fazê-las durante a sessão sem que isso prejudicasse a atenção flutuante. Assim, essas anotações poderiam ser feitas após a sessão. Falando novamente sobre a construção científica em cima de um caso, Freud aconselha que estes sejam trabalhados cientificamente apenas após o seu encerramento, visto que “(…) são mais bem sucedidos os casos em que agimos sem propósito, surpreendendo-nos a cada virada, e que abordamos sempre de modo desapercebido e sem pressupostos (…) não  especular e nem cogitar enquanto analisa”.     Freud empreende, então, uma analogia entre o trabalho do terapeuta e o trabalho de um cirurgião. O cirurgião, assim como o analista, deve deixar todos os seus afetos de lado de forma que esteja em jogo, no momento da cirurgia, apenas a operação, que deve ser realizada da melhor forma possível. Assim, a “ambição terapêutica”, a ambição de curar, seria o mais perigoso sentimento para o psicanalista. Destarte, o analista não deve se ater às expectativas, ao reconhecimento, ao retraimento perante as críticas. Esses afetos apenas trabalhariam em desfavor do paciente, assim como em uma cirurgia.
f.       Nesse item, Freud novamente pontua a atenção flutuante do analista como contrapartida à regra fundamental da psicanálise: a associação livre. Aqui é feita a analogia com a comunicação via telefone: as ondas sonoras emitidas são transformadas pelo aparelho em oscilações elétricas, que são novamente revertidas em ondas sonoras pelo receptor. O analista, assim como o receptor, posiciona o inconsciente (ondas sonoras) a partir da associação livre (oscilações elétricas). “(…) ele [o analista] deve voltar o seu inconsciente, como órgão receptor, para o inconsciente do emissor do doente, colocar-se ante o analisando como o receptor em relação ao microfone.” Todavia, Freud ressalta que o analista, para tanto, não pode ter em si resistências que o impeçam de entrar em contato com aquilo que fora percebido por seu inconsciente. As resistências do analista se caracterizariam, pois, como uma outra forma de seleção e distorção do material do paciente. Como solução para esse problema é prescrita a necessidade de que o analista se submeta também a uma análise (a não ser que se trate daqueles que conseguem analisar seus próprios sonhos, isto é, realizar a autoanálise). O risco da dispensa da autoanálise ou da análise por parte do analista residiria na possibilidade de uma projeção na ciência das peculiaridades de sua pessoa, o que poderia enviesar a sua percepção e interpretação.
g.       Outra ressalva colocada diz respeito à transferência. O analista não deveria trocar confidências e relatar sobre a sua vida, suas intimidades e seus conflitos mentais com o paciente. Freud reconhece que esse comportamento poderia ser eficaz para que o paciente contasse aquilo que ele próprio já sabe (aquilo que é da ordem da consciência), mas dificultaria o desvelamento do que resta inconsciente. Essa técnica de compartilhamento afetiva apenas faria com que o paciente tivesse ainda mais problemas na superação das suas resistências e poderia fazer com que o paciente tentasse inverter a relação analista-paciente, creditando mais interesse à vida do analista que a sua própria. “O médico deve ser opaco para o analisando, e, tal como um espelho, não mostrar senão o que lhe é mostrado”.
h.     Tão pouco o médico deveria repousar sobre o paciente ambições pedagógicas, assim como não deveria operar com a ambição terapêutica, pois deve respeitar as limitações do doente, colocando as capacidades do mesmo sempre a frente do seu próprio desejo.
i.         Por fim, é feita a ressalva acerca de uma colaboração intelectual do paciente. Freud aponta que a leitura de textos sobre a psicanálise não deveria ser proposta pelo analista, na medida em que o próprio analisando precisaria traçar seu próprio caminho na análise, sem recorrer em demasia à teorização. A eficácia da análise seria advento do respeito à regra psicanalítica e não do conhecimento teórico sobre a psicanálise.

É válido reiterar que Freud solidifica no texto em questão a atenção flutuante e a associação livre como pilares da prática psicanalítica e as recomendações traçadas convergem para a operacionalização das mesmas.  

Escrito por Camila Gerassi e Claudia O’Keeffe 

Revisado por Equipe de Monitores de Psicanálise da PUC/SP.


terça-feira, 24 de abril de 2012

" A Transferência" (S. Freud, Conf XXVII, Vol XI)


          No início do texto Freud discorre sobre os fatores determinantes do adoecer e os fatores que entram em jogo após o paciente ter adoecido e propõe a seguinte pergunta: “Dados esses fatores, onde residiria o papel transformador da análise?” Freud pontua, em primeiro lugar, a disposição hereditária, a qual já é estabelecida e por isso não pode ser modificado, impondo limites ao terapeuta. Em segundo as experiências da primeira infância do paciente que são de extrema importância à análise, mas por pertencerem ao passado, também não podem ser modificadas ou anuladas. E por ultimo a “frustração real” que diz respeito ao momento presente do paciente, todos as “infelicidades” decorrentes da vida, onde as experiências fogem a expectativa do sujeito.

Freud menciona que há uma ideia errônea sobre a terapia psicanalítica, que a toma por um tratamento que procura deixar o paciente sadio e vivendo uma vida sexual completa a partir do desprezo das barreiras éticas impostas pela sociedade. Algo que na verdade não é papel do tratamento, pois no conflito entre a libido e a repressão sexual nenhum dos dois deve prevalecer sobre o outro. Uma exceção é o caso do neurótico, “onde a tendência sexual suprimida acaba por encontrar uma vida através dos sintomas apresentados”. Por outro lado, se houver uma ascensão da sexualidade não haverá repressão sexual ou sintoma e assim pode-se observar que nenhuma das alternativas elimina o conflito interno. O analista não deve se tornar conselheiro ou orientador da vida de seu paciente e sim ajuda-lo a desvendar suas determinações inconscientes e leva-lo a tomar suas próprias decisões. O terapeuta não é reformador, mas um observador crítico e cabe ao paciente optar entre uma vida livre e uma vida de absoluto ascetismo. Assim, o que a terapia visa é a substituição do que está inconsciente pelo que é consciente; “suspendemos as repressões, removemos as precondições para a formação de conflito, transformamos o conflito patogênico em conflito normal”, a fim de encontrar uma solução. Freud introduz o conceito da terapia causal, que consiste em remover as causas dos sintomas e não o sintoma propriamente dito. A terapia psicanalítica propõe que a tarefa principal não é remover os sintomas e por isso não pode ser considerada uma terapia causal. “O que, pois, devemos fazer a fim de substituir o que é inconsciente, em nossos pacientes, por aquilo que é consciente?”. Primeiro acreditou-se que o analista deveria descobrir o material inconsciente e comunica-lo ao paciente, o que mostrou-se ineficaz, já que o paciente não compreende o conteúdo da mesma forma que o analista. Posteriormente, observou-se que se deve encontrar na memória do paciente o lugar onde o material se tornou inconsciente, através da remoção da repressão. Isto é feito a partir da busca da repressão, removendo a resistência que a mantém. Esta é provocada por uma anticatexia e é um mecanismo de defesa do ego. A partir desse processo consegue-se reviver o conflito antigo e assim revisar o processo de repressão, conduzindo-o a um melhor resultado, por conta de uma fortificação do ego.
            Durante esse tratamento, surge no paciente um interesse especial pela pessoa do médico, tornando-o mais importante do que seus próprios assuntos. Nesse momento, a análise faz progressos, já que o paciente se deixa absorver pelas tarefas que o tratamento lhe propõe. Porém, as dificuldades também podem aparecer (as resistências) e o paciente se mostra desinteressado no tratamento, fator que deve ser reconhecido como um fenômeno ligado a natureza da doença, e não apenas uma perturbação. Isso ocorre, pois o paciente transfere para o médico intensos sentimentos de afeição, incluindo uma supervalorização da pessoa-médico, uma absorção de seus interesses, ciúmes, etc. Esse fenômeno é nomeado como transferência, o paciente transfere sentimentos ao analista, que não podem ser justificados pelo tratamento, já que estes sentimentos já estavam preparados no paciente que se tornam evidentes na analise.
            A transferência é o principal motor da análise, ela é o terreno em que se dá o tratamento psicanalítico, é no campo da transferência, na sua instalação, nas suas diferentes formas, na sua interpretação e na sua resolução que ocorre o tratamento feito pela psicanálise¹. A transferência pode ser tanto positiva (sentimentos afetuosos, de admiração, etc.) quanto negativa (sentimentos hostis, de raiva). Entretanto quando se transforma em resistência, necessita de especial atenção, pois modifica a relação do paciente com o tratamento e assinala a proximidade do conflito inconsciente. Isto ocorre quando se expressa na forma de inclinação amorosa, pois a necessidade sexual provoca uma oposição interna, ou se consiste em impulsos não afetuosos (o que é mais comum no caso de pacientes homens).
            Frente a isso, o terapeuta deve mostrar ao paciente que esses sentimentos não são originados no tratamento, e não se aplicam ao médico, mas que são uma repetição de algo que lhe aconteceu anteriormente. Desse modo, a transferência que parecia constituir uma ameaça ao tratamento, torna-se seu principal aliado.
            O mecanismo da transferência só se manifesta na histeria, histeria de angustia, e neurose obsessiva, denominadas como neuroses de transferência. A tendência de transferência dos neuróticos é um aumento da capacidade de dirigir catexias libidinais das pessoas normais. Aqueles que possuem neuroses narcísicas não tem capacidade para a transferência, ou apenas possuem traços insuficientes da mesma. Suas catexias objetais devem ter sido abandonadas, e sua libido objetal, deve ter se transformado em libido do ego, e são inacessíveis aos esforços do analista.
¹   "Vocabulário da Psicanálise. Laplanche e Pontalis", 1982, editora Martins Fontes


   Elaborado pela equipe de monitores de psicanálise da PUC-SP

"A questão de uma Weltanschauung" (S. Freud, Conf. XXXV, Vol 22)

"A questão de uma Weltanschauung" (S. Freud, Conf. XXXV, Vol 22) ou”35. Acerca de Uma Visão de Mundo [Tradução. Volume 18. Companhia das Letras.]”

Weltanschauung [ou visão de mundo], para Freud, seria uma construção intelectual que busca solucionar todos os problemas de nossa existência de maneira uniforme e sem deixar lacunas. Na tentativa de separar o que é conhecimento do que é ilusão, Freud opõe a Weltanschauung científica a três outras, a arte, a filosofia e a religião. A arte para ele não pretenderia ser mais do que uma ilusão, logo, não representa ameaça à ciência. A filosofia, por sua vez, não se opõe à ciência, pois apesar de também se utilizar de métodos científicos, essa se perde ao almejar ilusoriamente uma verdade que dê conta de abarcar uma visão total de mundo. Já a visão de mundo pautada na religião, para Freud, é a única cuja força realmente representa uma ameaça para a ciência. Esse poder se dá pelo fato dela dar conta de três funções na vida do homem. A primeira é saciar o que o pai da psicanálise chama de sede de conhecimento, uma vez que a cosmogonia religiosa explica e dá sentido a todo o universo. A segunda é dar garantia de proteção e uma promessa de felicidade, reconfortando o homem diante da imprevisibilidade dos perigos da vida. A terceira função é normativa, tendo em vista que a religião, com sua ética, prescreve quais são as condutas moralmente corretas e quais são aquelas incorretas para os indivíduos.
O pai da psicanálise traça um paralelo entre a religião e o animismo. Neste texto, o teórico estabelece que o animismo precede a religião. Este seria caracterizado pela crença de que o mundo era habitado por demônios, espíritos, mas sem a presença de um Deus superior. Nele, o homem tinha como principal “poder” a magia, caracterizada pela onipotência do pensamento, ou seja, eles acreditavam que com o pensar e as palavras, eram capazes de mudar o ambiente. Neste sentido, a religião, que surge posteriormente, estabeleceu a adoração de animais, o “totem” (ou “símbolo” como parte do sistema religioso) e também os primeiros mandamentos éticos, os tabus. Neste sentido, Freud escreve o texto Totem & Tabu (1912-13), onde desenvolve de forma mais aprofundada esta teoria.
Freud estabelece uma relação da visão de mundo religiosa com experiências comuns na infância. Neste sentido, observa-se que na impossibilidade de lidar com o desamparo infantil, os desejos e a necessidade que prosseguem na vida adulta, o homem adulto reaviva a representação psíquica do pai em uma figura divina. Afinal, o sujeito detentor de uma visão de mundo religiosa passa a ter o seu desamparo minimizado, tendo em vista que as três grandes necessidades citadas no parágrafo anterior são atendidas.
Terminada esta breve teorização acerca da visão de mundo, Freud parte para estabelecer a problemática da relação entre a “crença” na ciência e na religião. Sendo assim, a religião estabelece como uma objeção à possibilidade de ser investigada pela ciência, a ideia de que ela dignificaria a vida humana e seria a “coisa mais bela que o ser humano já produziu”. Neste sentido, visa se posicionar como um campo superior e incontestável da experiência humana. Como refutação a essa ideia, o teórico diz que, o pensamento científico busca estabelecer uma relação com a realidade, ou seja, visa uma “verdade.” Neste sentido, de acordo com o autor, a religião não é, e ainda que pretenda ser, jamais poderá se firmar como substituta da ciência.
Sendo assim, o que a religião visa, na verdade, é a proibição da crítica/pensamento em prol da sua autopreservação. Em termos práticos, isso causa diversos problemas na vida do sujeito. Como forma de fundamentar esta questão, o autor demonstra que a sua experiência clínica trouxe a possibilidade da observação de diversos conflitos referentes a inibição da sexualidade feminina em decorrência de dogmas religiosos. Outros exemplos também são apresentados no texto, no que tange a leitura de biografias por parte do autor. Ele reconhece, no entanto, a importância desse pensamento no que se refere a unificação da sociedade, já que não seria possível cada um ter suas próprias regras morais em detrimento de um ideal coletivo. A partir disso, ele apresenta a hipótese de que a razão, no futuro, poderia substituir os dogmas religiosos, como forma de promover o espírito livre, ao mesmo tempo em que se mantém a coesão social.

            O autor prossegue fazendo referência a outras visões de mundo que se contrapõem à ciência. Sendo assim, ele cita o niilismo [que deriva do anarquismo] e o marxismo. A primeira, que parte da ciência, mas abandona os seus preceitos na sua constituição, preconiza a inexistência e o caráter ilusório da verdade, que seria um constructo proveniente das nossas próprias necessidades, ou seja, o homem veria aquilo que deseja ver. Sem um critério de verdade, todas as opiniões são, em última instância, fúteis, igualadas por serem desprovidas de valor. Também é frívolo, justamente por ser falso, todo o conhecimento, o que torna essa teoria inválida no que se refere ao cotidiano. Já quanto à segunda, a visão de mundo marxista, o teórico diz que deve ter maior importância. Ela preconiza que o desenvolvimento das formas de sociedade é um processo histórico natural, que os fatores econômicos exercem uma influência determinante sobre as atitudes humanas e que a estratificação na sociedade se dá a partir da dialética.  Freud refuta tanto o caráter natural, quanto a questão da dialética e a primazia das condições econômicas como promotoras dos aspectos psicológicos dos sujeitos. Neste sentido, o autor pontua que as condições psicológicas, a partir do domínio da natureza, influem na economia, o que retira esse caráter determinista proveniente da teoria marxista. Trata-se, aqui, de ler esta relação [estabelecida por Marx] como reducionista e incapaz de abarcar, por exemplo, a questão das pulsões, da necessidade de amor, da relação entre o prazer e o desprazer e as diferentes relações na economia que são estabelecidas a partir disso em cada sociedade. Freud, assim, não ignora a importância do aspecto econômico como motor de desenvolvimento da cultura, mas o estabelece como um dos pontos que podem ser pensados neste sentido.
Outra crítica que Freud estabelece ante ao marxismo é que este, em alguns casos, tal como na religião, firma a proibição do pensamento crítico. Este ponto diverge da Weltaunschaaung científica e afasta este pensamento da mesma. O marxismo se atém às próprias ilusões, prometendo um futuro melhor, no qual o ser humano alcançaria a sociedade perfeita. Freud novamente aponta para a influência dos fatores psicológicos subjetivos: é impossível que, a partir das questões psíquicas inerentes ao ser humano, exista uma sociedade perfeita, harmoniosa, sem leis, aonde todos trabalharem e que isso não gere qualquer tipo de conflito.
A conclusão de Freud é que a psicanálise não precisa de uma Weltanschaaung própria, já que faz parte da ciência. E que também este campo do saber não se pretende ser autossuficiente, nem tampouco criar sistemas e verdades absolutas. Sendo assim deve, no seu desenvolvimento teórico, se sustentar a partir destes pilares, como forma de ofertar sempre a busca pela “verdade” pautada numa leitura baseada na realidade.


Revisado por Antônio Alberto Almeida, Ana Clara Figueiredo e Sheila Beserra. da Equipe de Monitores de Psicanálise da PUC de São Paulo.

segunda-feira, 26 de março de 2012

"Terapia Analítica" (S. Freud, Conf. XXVIII, Vol. 16, 1916)

Freud introduz esta conferência comentando a respeito da sugestão como método de tratamento e seus efeitos. Estes equivaleriam aos efeitos de uma medicação psiquiátrica, já que seriam dirigidos contra a manifestação do sintoma. Em seguida, cita a hipnose, que teria como objetivo produzir efeitos semelhantes à sugestão, a partir de uma alteração do estado de consciência. Ele também afirma que o paciente pode perder a autoconfiança pelas repetidas hipnoses e ficar “viciado como se fosse um narcótico”. Tais observações impulsionaram-no a investigar por que a hipnose funcionava, já que as condições que permitiam um resultado favorável eram desconhecidas. Um paralelo entre hipnose e psicanálise começa a ser traçado, segundo o qual a psicanálise é colocada como se fosse uma cirurgia, e o tratamento sugestivo, um cosmético. A hipnose geraria melhoras mais rapidamente. Entretanto, Freud observa que a doença sempre retornava, ou que os sintomas eram deslocados. Então chega à conclusão de que os processos inconscientes que levavam à formação dos sintomas permaneciam presentes no psiquismo do sujeito. Dessa forma, a hipnose encobriria, então, a doença, e dependeria da capacidade de transferência do paciente, visto que o sucesso repousaria exatamente na sugestão. Se não bastasse, tal método proibiria os sintomas e fortaleceria as repressões, deixando o paciente vulnerável a adoecer novamente. Freud então coloca a sugestão como método da psicanálise, mas num sentido educativo, esta será como base para o andamento da análise. Afirma que a vida psíquica só pode ser modificada pelo trabalho de superação das resistências internas.


Um argumento feito por alguns críticos e rebatido por Freud é que estes afirmam que os dados clínicos não são confiáveis, já que se apoiam na transferência, de forma que aquilo que é vantajoso na clínica, não necessariamente é na teoria. A resposta de Freud é que os conflitos do paciente não podem ser resolvidos por meio da sugestão, mas que aquilo que o analista diz ao analisando só produz um efeito no mesmo quando esta interpretação coaduna com o que é real no paciente. Ou seja, a interpretação precisa ter um sentido para o analisando. Além disso, Freud fala que deve ser posto um fim aos êxitos imediatos durante o tratamento, uma vez que de fato eles são consequência da transferência, e que esta constitui uma diferença fundamental entre a terapia analítica e a terapia meramente sugestiva, uma vez que a psicanálise entende este êxito imediato como uma resistência.  Portanto, a eficácia do método interpretativo se dá a partir da superação das resistências.


Em seguida, descreve a cura com fórmulas da libido. Segundo ele, em situações saudáveis, o ego deveria ter a libido à sua disposição. Não é o que acontece, entretanto, com a libido do neurótico, que não se dirige a nenhum objeto real e está sob repressão, algo que demanda muita energia. Neste caso, o sintoma é a única satisfação da libido. A partir disso, a tarefa terapêutica seria remontar a origem dos sintomas para então liberar libido de suas ligações atuais e torna-la novamente utilizável pelo ego.


O trabalho, então, consistiria em duas fases: a primeira seria retirar a libido dos sintomas e esta seria colocada na relação transferencial. A segunda fase, seria a luta pelo novo objeto. A transferência possibilitaria o aparecimento de novas edições do conflito, ocorrendo uma doença transferencial que recebe o investimento que antes era dirigido ao sintoma. Mesmo nesta nova modulação, a libido tentaria chegar ao mesmo resultado. Entretanto, caberia ao analista reconduzi-la a outro rumo. Quando há êxito nesta tarefa, a libido é liberada do objeto temporário e não volta ao original, ficando à disposição do ego. Este se amplia e se concilia com ela, podendo então conceder-lhe satisfação. Ao final desta conferência, é feita uma comparação entre os sujeitos que Freud considera sadios e os que considera neuróticos. Para ele, os únicos sintomas da pessoa sadia seriam os sonhos (outras formações do inconsciente também podem fazer parte desses ‘sintomas’ que as pessoas normais produzem, como os atos falhos e os chistes). Ressalta ainda que a resistência externa atrapalha o tratamento e recomenda aceitar somente pacientes que não dependam de terceiros.


Escrito por Fernanda Bonilha e Fernanda Capuano 


Revisado por Antônio Almeida e Eduardo Zaidan.

Equipe da Monitoria de Psicanálise da PUC de São Paulo.