domingo, 14 de março de 2010

Definições: Pulsão, Pulsão de Vida, Pulsão de Morte, Princípio de Nirvana, Princípio de Prazer, Princípio de Realidade

PULSÃO


• Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta.


Na língua alemã existem dois termos, Instinkt (instinto) e Trieb (pulsão). O termo Trieb, de uso muito antigo, conserva sempre a nuança de impulsão, ou seja, há menos ênfase numa finalidade definida do que numa orientação geral, sublinhando o caráter irreprimível da pressão mais do que a fixidez da meta e do objeto.

Já o termo Instinkt faz referência ao biológico, ou seja, àquilo que é expresso quase da mesma forma em todos os indivíduos da mesma espécie. Freud utiliza este termo para se referir a um comportamento animal fixado por hereditariedade.

A pulsão é uma representante do somático e do psíquico, pois ao lado das excitações externas a que o indivíduo pode fugir ou de que pode proteger-se, existem forças internas (pulsões) portadoras constantes de um afluxo de excitação a que o organismo não pode escapar e que é o fator propulsor do funcionamento do aparelho psíquico. A pulsão não tem meta e nem objeto fixo, ela é variável e parcial

Freud propõe duas teorias das pulsões e ambas são dualistas. Na primeira teoria das pulsões, o dualismo se dá entre pulsões sexuais vs pulsões do ego ou de autoconservação. O id representa um reservatório de pulsões e a contraposição se dá entre pulsões de vida vs pulsões de morte.

PULSÕES DE VIDA


• Grande categoria das pulsões que Freud contrapõe, na sua última teoria, às pulsões de morte. Tendem a constituir unidades cada vez maiores, e a mantê-las. As pulsões de vida, também designadas pelo termo “Eros”, abrangem não apenas as pulsões sexuais propriamente ditas, mas ainda as pulsões de autoconservação.


Na segunda teoria das pulsões proposta por Freud, as pulsões de vida se opõem as pulsões de morte. As primeiras tendem não apenas a conservar as unidades vitais existentes, como a constituir, a partir destas, unidades mais globalizantes. As segundas tendem para a destruição das unidades vitais, para a igualização radical das tensões e para o retorno ao estado anorgânico que se supõe ser o estado de repouso absoluto.

As pulsões de vida não têm o caráter regressivo característico das pulsões, mas sim um caráter construtivo, uma vez que um princípio fundamental de tal pulsão é o princípio de ligação, que consiste em instituir unidades cada vez maiores e conservá-las, princípio este que está associado a nova concepção de Freud sobre a sexualidade.

PULSÕES DE MORTE


• No quadro da última teoria freudiana das pulsões, designa uma categoria fundamental de pulsões que se contrapõem às pulsões de vida e que tendem para a redução completa das tensões, isto é, tendem a reconduzir o ser vivo ao estado anorgânico.
Voltadas inicialmente para o interior e tendendo à autodestruição, as pulsões de morte seriam secundariamente dirigidas para o exterior, manifestando-se então sob a forma da pulsão de agressão ou de destruição.


As pulsões de morte representam a tendência fundamental de todo ser vivo a retornar a um estado anorgânico. Freud elaborou o conceito de pulsões de morte ao observar os fenômenos de repetição, que o levou a idéia do caráter regressivo da pulsão. Em tais fenômenos de repetição, o aparelho psíquico não apenas descarregava a libido, mas a libido estava relacionada a situações desagradáveis.

A exigência dualística é particularmente importante quando se trata das pulsões, já que estas fornecem as forças que se enfrentam no conflito psíquico. Freud sublinhou que a tendência a destruição de outrem ou de si mesmo pode denotar uma satisfação libidinal. Observou também que as manifestações do masoquismo, a reação terapêutica negativa e o sentimento de culpa dos neuróticos indicam a presença na vida psíquica de um poder que chamou de pulsões de agressão ou destruição, derivadas da pulsão de morte originária.

As pulsões de morte representam um retorno a um estado anterior, ou, em última análise, o retorno ao repouso absoluto do anorgânico. O princípio de prazer parece estar a serviço da pulsão de morte.



PRINCÍPIO DE NIRVANA


• Denominação proposta por Barbara Low e retomada por Freud para designar a tendência do aparelho psíquico para levar a zero ou pelo menos para reduzir o mais possível nele qualquer quantidade de excitação de origem externa ou interna.


A idéia de Nirvana representa o aniquilamento ou extinção do desejo humano, levando o aparelho psíquico a um estado de quietude e felicidade perfeita. O Princípio de Nirvana corresponde a uma tendência do ser humano de retornar a um estado anterior, um estado de homeostase, no qual ocorreria a supressão de uma excitação interna ou externa, ou seja, os seres humanos tenderiam a chegar em um estado anorgânico.

O Princípio de Nirvana exprime a tendência da pulsão de morte, ou seja, a tendência radical para levar a excitação ao nível zero.

PRINCÍPIO DE PRAZER


• Um dos dois princípios que, segundo Freud, regem o funcionamento mental: a atividade psíquica no seu conjunto tem por objetivo evitar o desprazer e proporcionar o prazer. É um princípio econômico na medida em que o desprazer está ligado ao aumento das quantidades de excitação e o prazer à sua redução.


O aparelho psíquico é regido pela evitação ou evacuação da tensão desagradável. A escala de prazer-desprazer é um regulador da economia libidinal. Freud considera a descarga de tensão como prazer e o aumento desta como desprazer. Contudo, Freud ressalva que sentimento de tensão não é o mesmo que desprazer, pois existem tensões agradáveis.

O princípio de prazer se opõe ao princípio de realidade. Um exemplo de tal oposição é realizar um desejo, pois a realização de um desejo inconsciente, regido pelo princípio de prazer, se depara com o princípio de realidade, que representa as exigências do mundo externo.

PRINCÍPIO DE REALIDADE


• Um dos princípios que, segundo Freud, regem o funcionamento mental. Forma par com o princípio de prazer, e modifica-o; na medida em que consegue impor-se como princípio regulador, a procura de satisfação já não se efetua pelos caminhos mais curtos, mas faz desvios e adia o seu resultado em função das condições impostas pelo mundo exterior.
Encarado do ponto de vista econômico, o princípio de realidade corresponde a uma transformação da energia livre em energia ligada; do ponto de vista tópico, caracteriza essencialmente o sistema pré-consciente-consciente; do ponto de vista dinâmico, a psicanálise procura basear a intervenção do princípio de realidade num certo tipo de energia pulsional que estaria mais especialmente a serviço do ego.

O princípio de realidade surge como uma necessidade do psiquismo de descarregar a tensão pulsional não de uma maneira alucinatória, mas a partir das condições que o mundo oferece. Assim, já não se representa o que é agradável, mas sim o que é real, mesmo que seja desagradável. O princípio de realidade sucede o princípio de prazer, contudo, o princípio de prazer não desaparece, só se torna o oposto do princípio de realidade.

O princípio de prazer é o campo das atividades psíquicas, entregue as fantasias inconscientes. Já o princípio de realidade corresponde a obtenção de satisfação no plano da realidade. Cabe ao ego mediar e garantir a supremacia do princípio de realidade sobre o princípio de prazer. Nas palavras de Freud: “[o ego] consegue discernir se a tentativa de obter satisfação deve ser efetuada ou adiada, ou se a reivindicação da pulsão não deverá ser pura e simplesmente reprimida como perigosa.”

4 comentários:

  1. Gostaria se possível que me respondesse o seguinte: Já que o Id é todo libido, e nos fenômenos de repetição, o aparelho psíquico não apenas descarrega a libido, mas a libido esta relacionada a situações desagradáveis e Freud sublinhou que a tendência a destruição de outrem ou de si mesmo pode denotar uma satisfação libidinal; então o ID ja que é todo ele libido está desta forma relacionado à pulsão de morte?

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  2. Sim, as pulsões teriam como fonte o Id (isso).

    - Invasão do Id no Eu.

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  3. Não sei se é possível fazer essa ligação tão precisa.Mas posso dizer que Freud chega até além do princípio do prazer. E que talvez essas suas questões sobre a pulsão de morte sejam melhor respondidas com a ideia de gozo Lacaniana, como quanto de pulsão de morte que não passa para a libido e se torna angústia.
    Marina

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  4. Como gostaria de saber muito sobre Freud , Lacan, Psicanálise

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